Mapa de laboratórios alternativos na América Latina
A inovação científica e tecnológica impulsionou o desenvolvimento de métodos alternativos aos testes em animais em setores como o cosmético e o biomédico. Essas ferramentas permitem avaliar a segurança e a eficácia dos produtos por meio de testes químicos, culturas celulares e sistemas computacionais, e têm sido promovidas por organismos internacionais como a OCDE e a FDA.
O crescente interesse da comunidade científica em se capacitar com base nos princípios das 3R reflete um compromisso cada vez maior com práticas mais éticas e rigorosas. Na América Latina, esses avanços se refletem no trabalho de laboratórios que desenvolvem e aplicam modelos como pele e córnea humanas reconstruídas para avaliar a irritação e a corrosão causadas por substâncias.
Esse cenário também atende a uma demanda social por produtos livres de crueldade, além da necessidade de contar com métodos mais eficientes, reproduzíveis e alinhados aos padrões internacionais. Nesse contexto, a equipe de Pesquisa da Te Protejo desenvolveu um mapa interativo que reúne laboratórios que utilizam métodos alternativos na América Latina, com o objetivo de facilitar o acesso a eles por parte da indústria de cosméticos e produtos de higiene pessoal.
Nesta pesquisa, o Brasil se destacou como líder no desenvolvimento de alternativas, com pelo menos oito laboratórios, uma Rede Nacional de Métodos Alternativos (RENAMA) e um Centro de Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM). Em seguida vem a Argentina com o centro CLAIM®, entidade pioneira no país no uso de métodos alternativos desde 1999, trabalho que permitiu construir uma base científica que tem beneficiado toda a região, seguida pela LMA e pela Bio Fucal; depois, o México, com laboratórios como o LIALT e o ILAB; e, por fim, o Chile, com os centros Functional Life, Luyef e Rubisco Biotechnology.
Esses centros conseguiram adaptar modelos de ponta às tecnologias latino-americanas e decidiram adotar uma cultura de cuidado e responsabilidade técnica. Este mapa é elaborado a partir de pesquisa documental e do contato direto com os pesquisadores, para que a comunidade possa explorar quais são os métodos disponíveis e quais laboratórios os desenvolvem. Fortalecer e dar visibilidade ao trabalho deles implica avançar para uma pesquisa contextualizada na realidade latino-americana, que dialogue com nossas prioridades sanitárias e sociais. Isso também permite identificar ensaios que poderiam ser complementados ou validados, reduzindo custos e melhorando a conformidade regulatória, além de avançar para certificações com respaldo local, fortalecendo a confiança do consumidor. Esta cartografia é um convite para fortalecer a comunidade científica latino-americana; se o seu laboratório oferece ensaios alternativos, entre em contato conosco e faça parte dessa mudança.
Imagem: Depositphotos
Referências
1. Parlamento Europeu e Conselho. (2009). Regulamento (CE) nº 1223/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo aos produtos cosméticos. https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=celex%3A32009R1223
2. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). (2021). Documento de orientação sobre boas práticas de métodos in vitro (GIVIMP). Série da OCDE sobre Testes e Avaliações, n.º 286. https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/reports/2018/12/guidance-document-on-good-in-vitro-method-practices-givimp_g1g938a9/9789264304796-en.pdf.
3. Fiona Sewell, Camilla Alexander-White, Susy Brescia, Richard A. Currie, Ruth Roberts, Clive Roper, Catherine Vickers, Carl Westmoreland, Ian Kimber, “Novas metodologias de abordagem (NAMs): identificando e superando obstáculos para a adoção acelerada”, Toxicology Research, Volume 13, Edição 2, abril de 2024, tfae044, https://doi.org/10.1093/toxres/tfae044.
4. EURL ECVAM. (2023). Conjunto de dados sobre métodos alternativos à experimentação com animais (DB-ALM). https://ecvam-dbalm.jrc.ec.europa.eu/

