Maternidade entre ratos: como é na realidade?
A maternidade em diferentes espécies permite observar comportamentos de cuidado e proteção que desempenham um papel fundamental na sobrevivência dos filhotes. Nesse contexto, é importante compreender como esse processo se desenvolve em ratos.
Embora sejam frequentemente vistas como pragas ou utilizadas em contextos de pesquisa, as ratos apresentam comportamentos maternos complexos, associados ao cuidado, à proteção e ao desenvolvimento de seus filhotes. Assim como em outras espécies, as fêmeas desempenham um papel fundamental nas primeiras etapas da vida, o que foi documentado em estudos sobre seu comportamento.
O instinto maternal: além de uma resposta biológica
Em condições naturais, uma fêmea de rato pode ter ninhadas de 6 a 12 filhotes a cada três ou quatro semanas, dependendo de fatores como alimentação e ambiente. Desde o nascimento, observam-se comportamentos de cuidado, como a limpeza dos filhotes, a estimulação para favorecer funções básicas e o fornecimento de calor.
Durante os primeiros dias de vida, os filhotes dependem totalmente da mãe para se alimentar e se proteger, pois nascem em estado altricial, ou seja, sem pelos, com capacidade limitada de regular a temperatura corporal e com mobilidade reduzida. A partir da terceira semana, começam a explorar o ambiente ao seu redor, mantendo a dependência dos cuidados maternos e aprendendo comportamentos próprios da espécie.
Imagem: We Animals & Te Protejo
Esses comportamentos têm sido estudados no âmbito científico, revelando respostas de cuidado que vão além das funções básicas e que permitem compreender melhor as capacidades comportamentais desses animais. O comportamento materno em ratas não se limita apenas a respostas instintivas, mas também envolve processos hormonais e fatores epigenéticos que influenciam a maneira como as fêmeas respondem aos seus filhotes. Antes e depois do parto, observam-se comportamentos essenciais para a sobrevivência, associados a mudanças fisiológicas durante a gestação.
Entre essas mudanças, foi descrita a diminuição da progesterona e o aumento dos estrógenos no final da gestação, o que favorece a ativação de comportamentos de cuidado e proteção, incluindo respostas defensivas diante de possíveis ameaças. Da mesma forma, a experiência da maternidade tem sido associada a alterações no cérebro das ratas, relacionadas a processos de memória e aprendizagem. Alguns estudos observaram melhorias na memória espacial e em comportamentos como a busca por alimento, o que foi associado a processos de neuroplasticidade.
Observou-se que ratas que nunca foram mães podem desenvolver comportamentos de cuidado ao serem expostas continuamente a filhotes recém-nascidos, o que evidencia a plasticidade de seu comportamento. A experiência da maternidade pode variar entre os indivíduos. Algumas pesquisas indicam que certas fêmeas, especialmente aquelas com maior predisposição a respostas de ansiedade, podem não apresentar mudanças significativas em seus níveis de estresse, apesar do contato com seus filhotes.
Imagem: We Animals & Te Protejo
O contexto da maternidade em laboratório
Em ambientes laboratoriais, as ratas fêmeas não vivenciam a maternidade em condições comparáveis às de seu habitat natural. Em biotérios e instalações de pesquisa, é comum o uso de cruzamentos controlados, inseminação artificial e separação precoce dos filhotes, de acordo com os objetivos experimentais.
Vários estudos têm apontado que fatores como ambientes padronizados, a ausência de estímulos naturais e a separação dos filhotes podem influenciar o comportamento materno, gerando respostas de estresse ou alterações nos comportamentos de cuidado. Essas condições também podem afetar variáveis relevantes para a pesquisa, o que tem sido levado em consideração na análise dos resultados científicos.
Em condições naturais, os ratos apresentam dinâmicas sociais nas quais outros indivíduos participam dos cuidados, o que tem sido associado a uma menor resposta ao estresse e a um melhor desenvolvimento das crias. Em contrapartida, em ambientes de laboratório, essas interações costumam ser limitadas, o que pode influenciar o comportamento e o desenvolvimento durante os primeiros estágios da vida.
Imagem: We Animals & Te Protejo
Compreender esses comportamentos permite ampliar a visão sobre as capacidades e necessidades dos animais. Saiba mais sobre como eles percebem seu ambiente no artigo “Quanto tempo dura um minuto para um animal?

