Chile 2025: metade dos candidatos à presidência ignora a agenda de defesa dos animais

Apenas quatro das oito candidaturas à Presidência incluíram medidas voltadas para a proteção e o bem-estar dos animais em seus programas presidenciais durante o processo eleitoral de 2025. Esse cenário evidenciou que a proteção e o bem-estar animal continuavam sendo temas marginalizados na agenda política do país, apesar do amplo apoio da população a essas iniciativas.

As eleições presidenciais realizadas em 16 de novembro de 2025 no Chile definiram quem assumiria a Presidência da República para o mandato de 2026 a 2030, encerrando o mandato de Gabriel Boric.Oito candidatos participaram desse processo: Jeannette Jara, Evelyn Matthei, José Antonio Kast, Franco Parisi, Johannes Kaiser, Harold Mayne-Nicholls, Marco Enríquez-Ominami e Eduardo Artés. Embora o debate tenha se concentrado principalmente em temas como segurança, economia e saúde, o bem-estar animal teve uma presença limitada nas propostas presidenciais.

De acordo com a análise realizada pela Te Protejo sobre os programas divulgados, apenas duas candidaturas incluíram medidas voltadas para a proteção dos animais e para promover uma convivência mais ética e responsável: Jeannette Jara e Evelyn Matthei.

Imagem: Te Protejo & We Animals

Em seus programas, Jeannette Jara apresentou um conjunto de propostas voltadas para a proteção de animais de companhia e espécies nativas em risco, incluindo medidas como a promoção da posse responsável, a esterilização em massa, a identificação por microchip e o avanço rumo à transformação progressiva dos zoológicos em espaços de conservação. Por sua vez, Evelyn Matthei incorporou iniciativas voltadas para o fortalecimento da posse responsável, do bem-estar animal e da proteção do meio ambiente, juntamente com a criação de espaços públicos seguros que levem em conta a presença de animais sem afetar a biodiversidade, além de planos de controle e manejo de animais que se tornaram selvagens.

No caso de Franco Parisi, seu programa incluiu o apoio ao Boletim nº 15.693-18, conhecido como “Lei da Criação Compartilhada 2.0”, que propõe incorporar o conceito de cuidado compartilhado de animais de companhia. Por sua vez, Eduardo Artés apresentou medidas voltadas para a proteção da fauna terrestre e marinha.

Em contrapartida, as candidaturas de José Antonio Kast, Johannes Kaiser, Harold Mayne-Nicholls e Marco Enríquez-Ominami não incluíram propostas relacionadas à proteção ou ao bem-estar animal em suas plataformas.

Nicole Valdebenito, diretora de Advocacia da Te Protejo, destacou: “Incorporar a proteção e o bem-estar dos animais nas propostas presidenciais é uma necessidade ética e social. O tratamento dispensado aos animais reflete os valores de uma sociedade e está ligado a áreas como a saúde pública, a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável. Por isso, sua inclusão nos programas de governo é fundamental para avançarmos rumo a uma convivência mais consciente e respeitosa com outros seres vivos”.

Nesse sentido, a organização entrou em contato com cada uma das candidaturas à presidência para apresentar propostas voltadas para o fortalecimento da proteção dos animais utilizados em pesquisa e experimentação. No entanto, essas recomendações não foram incorporadas aos programas oficiais, o que evidencia os desafios que ainda precisam ser superados para integrar de forma transversal a proteção animal às políticas públicas do país.

Imagem: Depositphotos

Francisca Ugalde, gestora de advocacy da Te Protejo, afirmou: “Da Te Protejo, reafirmamos nossa disposição de continuar colaborando com as autoridades e diversos setores da sociedade para avançarmos rumo a uma convivência mais respeitosa com os animais. O trabalho conjunto é fundamental para construir um futuro sustentável que leve em consideração todos os seres sencientes”.

Nesse cenário, um dos principais desafios reside na capacidade das futuras autoridades de transformar essas demandas em ações concretas que contribuam para melhorar a vida dos animais no país, incorporando sua proteção de maneira efetiva às políticas públicas.

As eleições ocorreram em 16 de novembro de 2025, resultando na eleição de José Antonio Kast como Presidente da República para o mandato de 2026 a 2030. Nesse contexto, o desafio de incorporar a proteção animal à agenda pública ganha maior relevância, especialmente considerando a presença limitada dessas temáticas nos programas presidenciais analisados.


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